sábado, 27 de agosto de 2011

Quem mora no meu umbigo?

            
Cada pessoa abriga no umbigo vários tipos de bactérias diferentes (Foto: Flickr)       

Você com certeza já ouviu muitas histórias sobre monstros que moram embaixo da sua cama, mas... Alguém já falou das criaturinhas que moram no seu umbigo? Aposto que não!

Cientistas da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, criaram o projeto Biodiversidade do Umbigo para conhecer os seres que vivem por lá. Quase cem pessoas tiveram o umbigo analisado e, só nesse grupo, os pesquisadores identificaram mais de 1400 tipos de bactérias.

Antes de sair correndo para o médico, saiba que essas criaturas vivem em harmonia com a gente e servem como um grande exército de defesa. Muitas estão no nosso umbigo (e por toda a pele, além da boca e do intestino) para nos proteger de microrganismos que geram doenças. “Para viver sem essas bactérias, teríamos que morar em uma bolha”, explica Robert Dunn, chefe da pesquisa.

Um detalhe curioso é que algumas bactérias que habitam o umbigo de uma pessoa são diferentes das que moram no umbigo de outra. Porém, é difícil explicar o porquê desta diferença e ela parece não ter relação com a genética ou com os hábitos de limpeza de cada um. “Nós analisamos seis famílias e a comunidade microbiana de cada membro era muito diferente”, conta Nina Rountree, pesquisadora do projeto Biodiversidade do Umbigo.

Durante o estudo, além de encontrar uma grande quantidade de bactérias já conhecidas, os cientistas descobriram 662 novas espécies, mostrando que o umbigo pode ter muito a nos ensinar sobre biodiversidade bacteriana.

Mas olhe lá: não vale usar a biodiversidade do umbigo como desculpa e parar de tomar banho! A falta de higiene permite a entrada de outras bactérias que podem deixar você doente, então, o ideal é estar sempre limpinho e cheiroso.
adaptado de Ciência Hoje das Crianças online

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Por dentro das cadeias alimentares

As espécies que vivem em um mesmo ambiente estão ligadas entre si, como elos de uma grande corrente. O motivo que as une é o alimento: uns servem de alimento aos outros, transferindo-lhes a matéria que forma seus corpos e a energia que acumulam para realizar as suas funções vitais.

O primeiro elo dessa ’cadeia alimentar’ é formado pelos vegetais, que usam a luz do sol, na fotossíntese, para produzir energia. Por conta de serem os primeiros a receber a energia do sol - a única fonte externa de energia em nosso planeta - e a transformá-la, os vegetais são chamados de produtores. Os elos seguintes da cadeia alimentar são formados pelos consumidores - seres vivos que, incapazes de produzir o próprio alimento, conseguem-no comendo outros seres vivos.

Existe uma ordem entre os consumidores: os consumidores primários, ou de primeira ordem, são os que se alimentam dos produtores; os secundários, ou de segunda ordem, alimentam-se de consumidores primários e os terciários... Bem, essa cadeia pode ter muitos elos de consumidores, dependendo da riqueza de espécies que convivem no mesmo ambiente. Há ambientes tão diversificados que as cadeias alimentares acabam se tornando complexas teias alimentares.


Nas cadeias alimentares, além dos produtores e consumidores, há também o importante elo dos decompositores, seres que se alimentam de cadáveres. São eles os seres vivos capazes de degradar substâncias orgânicas, tornando-as disponíveis para serem assimiladas pelos produtores. Com eles, a cadeia alimentar é realimentada e pode perpetuar-se.

Matéria e energia passam de um elo a outro da cadeia alimentar: dos produtos aos consumidores e, destes, ao decompositores. Parte da energia é consumida em cada elo, pelas atividades que os seres vivos desenvolvem para sobreviver; aos últimos elos sobram parcelas cada vez menores de energia. Daí falarmos em fluxo de energia. No caso da matéria, falamos em ciclo da matéria, uma vez que não há perda ao longo do trajeto.

A teia da vida
Seres vivos que habitam a Terra estão todos interligados em uma grande rede
Existem na Terra milhões de espécies de seres vivos, cada uma desempenhando um papel único em relação ao todo. Toda essa "multidão" de seres vivos que os cientistas chamam de biosfera está comprimida em uma estreita faixa de terra, água e ar de cerca de um quilômetro de espessura e espalhada por cerca de meio bilhão de quilômetros quadrados de superfície.

Entre os seres vivos que habitam esse planeta, podemos encontrar os mais diversos tipos e variações. E - tal qual uma história sem fim - os cientistas tentam exaustivamente enquadrar e classificar essa imensa variedade de seres em grupos, para melhor estudá-los e entendê-los. Há desde pequenas bactérias até as grandes baleias; como há também desde os que produzem seu próprio alimento, como as plantas, até aqueles que dependem do alimento produzido pelos outros, como os animais. Não é à toa que se diz que a biodiversidade nesse planeta é imensa. Temos mesmo uma diversidade de formas de vida impressionante.

Mas temos também um problema: toda essa imensa variedade de seres vivos está interligada como uma imensa teia viva e depende da energia do sol que chega à superfície do nosso planeta. Para piorar nossa situação, há uma agravante: a energia do sol que chega é pequena - apenas cerca de 10% - e conforme vai sendo usada pelos seres vivos vai diminuindo. Vivemos, portanto, em constante ’luta’ em busca de energia e nossa forma de obtê-la é nos alimentarmos daqueles que a armazenam em seu organismo.

cadeia4.jpg Quando chega à superfície da Terra, a energia é fixada pelos vegetais, através da fotossíntese. Depois, a energia passa para os insetos ou outros herbívoros que se alimentam das plantas; dos insetos, a energia vai para os camundongos ou outros carnívoros inferiores que se alimentam de herbívoros; dos camundongos, a energia passa para cobras, que deles se alimentam e, assim por diante, vai se formando uma cadeia alimentar - em que matéria e energia vão passando de ser vivo a ser vivo até chegarem aos carnívoros superiores, como as águias, os tigres e os tubarões brancos. Ocupando o ponto extremo da cadeia alimentar, essas espécies só são consumidas por parasitas - as bactérias e os fungos especializados em decompor cadáveres.

Parte da energia que chega a um ser vivo é gasta em suas atividades de sobrevivência - no crescimento e na reprodução, por exemplo. Portanto, para o nível seguinte da cadeia alimentar passará sempre menos energia do que entrou. É por isso que os carnívoros superiores, que ocupam posições terminais nas cadeias alimentares, estão sempre em risco de extinção. Para eles sobra sempre uma parcela pequena de energia disponível. Além disso, qualquer quebra na cadeia alimentar coloca sua posição em risco.


Adaptado do artigo de Vera Rita Costa
publicado originalmente em Ciência Hoje para Crianças 82

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Cascavel decapitada é perigosa?

Mesmo vários minutos após separada do corpo, a cabeça do animal retém a potencialidade de atacar e inocular peçonha.


A literatura médica contém relatos de pessoas que, inadvertidamente, aproximaram as mãos da cabeça de uma cascavel que havia sido decapitada e que foram mordidas por ela. O animal já estava decapitado há alguns minutos e havia parado de se mover. Há, também, relatos de cascavéis que foram mortas por severos golpes com objetos pesados e até com vários tiros, mas que mesmo assim morderam as mãos de pessoas que se aproximaram.



As cascavéis (assim como as surucucus, urutus e jararacas) pertencem à subfamília Crotalinae da família Viperidae. Uma característica distintiva dessa subfamília de serpentes é a presença das fossetas loreais. Esses dois órgãos estão situados um de cada lado da cabeça, entre o olho e a narina, um pouco abaixo da linha que liga ambos.



A fosseta tem um orifício externo que se comunica com uma câmara interna, contida em uma cavidade do osso maxilar. Nessa câmara há uma finíssima membrana que a divide em duas partes, uma anterior e outra posterior, ambas contendo ar. 



Na membrana, há grande quantidade de terminações nervosas sensíveis à temperatura — cerca de 500 a 1.500 axônios por milímetro quadrado — semelhantes aos sensores de temperatura da pele de mamíferos. São, contudo, mais sensíveis por dois motivos. Estão mais próximos da superfície do epitélio (0,002 mm no caso dessa membrana e por volta de 0,3 mm na pele humana). Além disso, estão em uma fina membrana rodeada de ar, na frente e atrás. 

Como narina o ar conduz mal o calor, há menor dissipação. No caso de mamíferos, o calor que chega à superfície é dissipado para as regiões vizinhas da pele.



Variações de temperatura na membrana da ordem de 0,003°C (decorrentes, por exemplo, do infravermelho irradiado por objetos mais quentes que os arredores) desencadeiam impulsos nervosos a partir dessas terminações que, no cérebro, são integrados aos estímulos provenientes dos olhos, que captam luz visível. Isso permite à serpente localizar presas homeotérmicas em diferentes ambientes e até mesmo na escuridão noturna. 

Na primeira metade do século passado, pesquisadores perceberam que cascavéis com os olhos vendados acertavam o bote em lâmpadas incandescentes acesas, mas não demonstravam atração por elas se estivessem com as fossetas loreais cobertas.


Até cerca de uma hora após a decapitação de uma cascavel ou de ela ter sofrido ferimentos fatais, alguns atos reflexos mantêm a potencialidade de ocorrer. O calor irradiado pelas mãos que se aproximam da cabeça, mesmo separada do corpo, desencadeia impulsos nervosos a partir das fossetas loreais que culminam com o ataque e a inoculação de peçonha. 

Um médico especialista em acidentes com serpentes peçonhentas advertiu que a cabeça de uma serpente recém-decapitada deve ser encarada como uma “cobra muito curta”. Vale, portanto, o sábio procedimento de não se aproximar de serpentes, mesmo das que parecem mortas. E isso inclui as decapitadas!